Há muito esta Irmandade comprou um bote para navegar pelo lago da represa de Salto Caxias, antigo lugar de acampamento deste grupo. Adquirido com migalhas de cada um dos membros, o bote estava há anos parado na casa do Ir. Fábio, a espera de novas águas.

Promessas e mais promessas de descermos qualquer rio com ele, eis que dos murmúrios e telefonemas em uma noite de sábado combinou-se a 1ª Descida no Rio - Irmandade Véio Rosa.

O local? Rio São Franciso, estrada entre Ouro Verde e Toledo, partindo da Ponte do Recanto e chegando na Ponte de São Luiz (ou melhor, na cachoeira do "Vinagre").

Todo o trajeto foi cuidadosamente estudado algumas horas antes, no excelente Google Maps, com fotos tiradas há pelo menos 04 anos atrás. Ligações foram feitas e os Irmãos "Fábio" Daluz, Éder, Nânico Colpani e Fabiano aceitaram o desafio. Membros estes que coincidentemente foram os mesmos que há 10 anos atrás foram os precursores dos Acampamentos Véio Rosa.



Apesar de desconhecer o caminho, tinhamos na bagagem a experiência de uma vez termos flutuado com o bote nas calmas águas da represa citada. E várias centenas de partidas de futsaco.

Segundo o Vinagre, nosso guia de viagem, o trajeto daria uns 7 a 8 quilometros. Ledo engano.

Primeiro desafio: aonde descer com o bote, pois sequer conhecíamos o Recanto. Embrenhando-se no meio da mata, achamos, além de uma família ali acampada há dias,(acho que eram ciganos), uma Belina 1979, muito lixo e um barranco para descermos.

Inflado o bote, postos os coletes, entramos no bote, numa sutileza de um ogro comendo um suflê. No começo não sabíamos como remar. E ainda não sabemos. Cada um remava por si e o bote, quando não andava em circulos, batia nos galhos dos barrancos ou em qualquer outro obstáculo no caminho.

E foram esses galhos nossos maiores obstáculos. Cheios de espinhos e aranhas (isto mesmo aranhas, de todos os tamanhos, cores e "habilidades") tornaram-se verdadeiro martírio para os aventureiros. Tanto que, no primeiro deslize para as bordas do rio - e consequentemente para os galhos - eis que o Ir. Éder derruba o Ir. Daluz no rio. E eis que constatamos que àquele rio é podre.

Quando molhados, um cheiro de carniça tomava conta das roupas. E se engolíssemos a água, o gosto era de esgoto misturado com urina. Nada que muito lixo e esgoto sendo jogados no rio ao longo de vários anos.

Remamos vários quilometros em águas calmas. Nada das corredeiras que vimos no Google Maps. Mas esquecemos que as fotos do site foram tiradas no inverno, período de seca, enquanto estávamos em janeiro, após muita chuva, e as corredeiras que sobraram era apenas as maiores.

Após 7 quilometros de descida encontramos a primeira corredeira. WOW! Loucura. Esta já valeu a pena as horas de remada. E o bote, de U$ 100, resistiu bravamente. Mais alguns metros abaixo, nova corredeira, desta vez mais forte. E logo após outra, mais forte ainda! Ou seja, 7 quilometros de calmaria e a outra metade do trajeto com corredeiras em sequência.

Logo após a primeira corredeira marcamos um novo ponto de partida, cortando todo o trecho de águas calmas. Seria o ponto de partida da 2ª Descida, a ser narrada em outro dia.

Numa das últimas corredeiras o maior obstáculo: uma trifurcação bem estreita. E conseguimos mirar (e colidir) bem nos galhos de uma árvore que estava no meio do caminho. Era a nossa sina: se havia algo no caminho, batíamos nele. Desgraça.

Depois disso o Ir. Colpani descobriu que aranhas também são Filhas do Senhor e andam sobre as águas. Quando tentei matar uma aranha grande que esta no seu colete, o animal (a aranha) pulou do bote no rio, perseguiu a embarcação correndo sobre a água e saltou nele de novo. Ninja! Pena que logo em seguida morreu com uma remada.

Desde o começo sabíamos que nossa única preocupação era sair na ponte de Novo Sobradinho, porque logo abaixo era impossível transpor a "cachoeira do Vinagre", como disse o próprio Vinagre. Avistamos a dita ponte e saltamos no lamacento barranco do rio, mas com um certo sentimento que era possível descer a "cachoeira do Vinagre". Acho que não daria.



1ª Descida no Rio - Irmandade Véio Rosa (parada) from Fabiano Scuzziato on Vimeo.


No próximo conto do Véio, narrarei a 2ª Descida no Rio - Irmandade Véio Rosa, onde vocês irão assistir o vídeo mais engraçado do ano.

3 comentários:

Irmão Rossoni disse...

Excelente conto.
Constatei também que o Irmão Eder derrubou o irmão Daluz. Alguma semelhança com a 2ª descida??!! ¬¬
Aos internautas, guardem essa minha pergunta e verifiquem no próximo conto da descida da irmandade.
Namarië

Romulo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Irmão Colpani disse...

1ª colocação: o irmão éder está proibido de ir nas próximas descidas de rio. Ou ele derruba os outros do bote ou FURA o bote.

2ª colocação: acho que foi o éder que deixou a mochila aberta e perdeu a minha faca.

3ª colocação: quando iremos concertar o bote? Quero descer de novo com o éder para dar uma remada nele.

4ª colocação: melhor equipe de 360º