10 de mai. de 2007

Jabor: "Onde está a pena?"



"O que me impressiona no Judiciário é como a lei é benevolente com aqueles que a aplicam.

No caso do ministro Paulo Medina, ele parece ter feito muito bem em pedir seu afastamento, para não constranger os colegas durante o julgamento. Mas assim como há indícios de que ele teria antecipado a sentença no caso da carteirinha de policial, a sua eventual pena também já está antecipada.

Como ele pediu afastamento, irá pra casa. Ficará contrafeito com as notícias – que, sem dúvida, mancham seu nome. Nesse período, continuará recebendo os quase R$ 24 mil que ganha por mês. Isso é sagrado.

Aí, ele fica esperando seu destino.

O primeiro – e mais provável, pelo seu elegante gesto de afastar-se, é que ele poderá ser absolvido; aí, não perderá nada, e ainda terá a bênção da pureza que reconstituirá a sua virgindade.

No caso de ser culpado, a sua pena máxima prevista é a aposentadoria. Aí, é terrível: ele vai ter de parar de trabalhar para sempre – continuando a ganhar, naturalmente, os quase R$ 24 mil.

Onde é que está a pena? Bem, somente o constrangimento, a mancha. Mas aí amigos o consolarão, e o tempo, o maior amigo dos inimigos da lei, vai passar. A mancha vai esmaecer, e nós esqueceremos tudo. Onde está a pena?"

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